Quero falar-lhe
de amor e perder-me nestas linhas repletas disso mesmo: amor. Completar-me com
a pessoalidade dos seus poemas e presentear-lhe estas minhas escritas tão
singelas mas tão repletas do meu ser. Hoje, quero a eternidade e quero-o a ele.
Ao tempo que passará e aos dias que serão fugazes, pois é mesmo essa a
realidade. Quero continuar a escrever e quero continuar a escutar a sua voz que
é como um poema. Gritar ao universo todo o meu amor e , quando o meu corpóreo
gritar por ele e por um beijo seu, quero sentir toda a brisa do vento a beijar-me
o rosto e sentir a luminosidade das estrelas a acalentar as minhas noites e os
meus dias sem ele. Quero também deixá-lo falar de amor e ouvi-lo com toda a
atenção e carinho mas, hoje gostava de falar com ele, por isso gostava que ele
me ouvisse. Mas sinto que o perdi para sempre, para sempre mesmo e, agora já
começo a ter alguma consciencia dessa veracidade. A dor de perda é sempre uma
dor gigantesca e indizível em vocábulos. Quando me refiro a esta minha dor que
me devora o engenho e despedaça todas as minhas quimeras, gostaria que ela não
habitasse mais em mim e que ela não fosse uma dor sem fim. Mas, o falecimento é
mesmo assim, um infernal sobressalto que aniquila todo o nosso alento. Na
verdade, queria que esta realidade dolorosa não existisse e que esta perda
fosse apenas um pesadelo que tivera numa noite pluviosa e escura. Mas, a
realidade é mesmo esta: perdi-o para sempre e jamais voltarei a (re)encontrá-lo.
Porém, hoje, somente hoje dou por terminadas estas “missivas” que na minha
mente lhe envio porque tudo deixou de fazer qualquer sentido. Portanto irei
pousar devagarinho a minha alma e o meu coração uma última vez. As palavras já
me escasseiam quando tento escrever-lhe pela derradeira vez e, repito: já nada
faz sentido. Eu fiquei sem ele. Já não o vejo há muito tempo e as saudades
começam a cessar aos poucos e poucos. Ele faz parte da minha vida e dá-lhe
algum sentido e, mesmo por isso, estou-lhe eternamente agradecida. Ainda, às
vezes, quando as estrelas tremeluzem e a lua me espreita pela fresta da janela,
estendo-me ao comprido no meu leito escuro a repousar e a minha mente viaja
pelas nossas lembranças e memórias dispersas no tempo. Apesar de tudo ele deu
todo este sabor à minha vida e fez de um uma pessoa mais feliz. A sua amizade é
irrefutável. Pena ser só uma amizade.
Agosto 2012
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