Perdoa-me todo
este silêncio mas, são infindas as vezes em que determino emudecer o coração. A
nostalgia invade-me incessantemente nas noites negras e amargas de dias
acabrunhados. Preciso do teu alento e da alforria que me presenteias em dias
assim, tao penosos de morrer. E, preciso de escrever-te estas linhas para não
sufocar de saudade. Deixa-me só proferir-te que voltei a voar alto e a cobiçar
o firmamento. Sei que ainda há tempo para nós. Sei que ainda há tempo para
batermos asas e voar mas, quero que me procures só às vezes, pois não me quero
sentir coagida. Contudo, só não te esqueças que estamos ligados. Não te
esqueças. Nunca. Eu sinto a falta dele. Sinto a sua falta porque também sinto a
minha. E sentir a sua falta é sentir um vazio no peito que me sabe a nada, é
sentir o peito a perfurar-me o físico. Sinto a sua falta porque ele não está
presente e o sabor amargo da sua ausência torna os meus dias em noites negras.
E sentir a sua falta é sentir a minha alma de pássaro presa numa gaiola. É
sentir a minha vida sem sentido e sem qualquer liberdade porque com ele seria
livre e saberia adejar. E sentir-me presa, é sentir que me arrancam um pouco da
alma, um pouco de todos os dias e que me dilaceram o coração. Tenho medo dele
porque ele é o vazio que sinto no peito e não no coração da minha existência.
Sinto a sua falta e sinto a minha porque ele pertence-me, apesar de não pertencer,
porque vive em mim apesar de não viver, porque me tatuou só com a sua
fantástica maneira de ser. Sinto a sua falta porque agora já não preenche o
vazio que carrego no peito e que, outrora, era repleto dele. Sinto-me cansada. Vivo
cansada de viver. Já não sinto a temperatura da água no meu físico nem o
paladar de um bom cozinhado da minha mãe, até mesmo o seu intenso cheiro.
Sinto-me esgotada e, sempre que saio à rua, todos me olham com olhar de pena.
Penso eu. Vivo sem paz, sem a paz que tanto imploro vezes sem conta. Deixei-me
de jornadas mal planeadas, de amores enfermos e de refeições rápidas. Talvez
seja estranho, para vós que me ledes, proferir que vejo a morte passar por mim
numerosas vezes mas é essa a minha espinhosa e , mesmo estranha realidade. Eu
mesmo sou estranha e louca. Gosto de me isolar e desejar a morte. Porque viver
sem ter a pessoa que amo do meu lado não é viver. Gosto de me sentir uma alma
assombrada, de me perder no vazio e ser consumida pela escuridão. Repito: vivo
cansada de viver. Estou afadigada. Preciso dele, preciso da felicidade que ele
me transportava só com um sorriso. Vido rodeada de perfídias e desgostosa desta
vida monstruosa. Tornei-me fria ou melhor, esta situação tornou-me assim,
repleta de frialdade por conviver sentindo falta de alguém. Já é tudo tão duro
para mim, tudo tão fugaz e, fechar os olhos eternamente é o que mais desejo.
Agosto 2012
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