domingo, 17 de março de 2013

Alma perdida


É difícil suportar esta dor que carrego em mim. A pessoa que me segura a mão com todo o carinho que tem para oferecer não é aquela que quero na minha vida. Não sei o que fazer, sinto-me confusa. Talvez isto seja apenas uma amizade forte, mas quando o vejo o meu órgão propulsor não aguenta. Em oposição, o cérebro ordena-me que pare com isto. Mas não consigo. Hoje segue-se mais um dia de aulas. É graças a ele que tenho vontade de ir para a escola. No caminho, vou a ter pequenos sonhos de como seria a minha vida se o tivesse a meu lado. Seria tudo tão perfeito. A campainha toca e vamos para as aulas. Como sempre, ele chega atrasado. Já é hábito neste rapaz que me tolda o raciocínio e me alastra de confusões que me consomem a mente. Finalmente, ele entra na sala. Sempre um pouco desajeitado a andar, com um sorriso arrebatador e uns olhos profundos. Sinto-me incrédula. O meu coração acelera. Congelo. Não consigo deixar de olhar para ele. Não quero deixar de olhar para ele. O amor provoca estas reações estranhas nas pessoas. Mas será amor? É ele quem desejo. É por ele que acordo todos os dias com energia para encarar os dias. Sinto-me a rebentar com tanto choro e ganir do coração. Este dia agonizante terminou e vou para casa, e mais uma vez carrego-o no meu pensamento. Chego a casa e vou para a janela. Estou a ver a natureza a divertir-se, olho as folhas das árvores caducas a rodopiarem com o sopro do vento e ainda observo pássaros a voarem bem lá no fundo do firmamento azul. Com a brochura onde lhe dedico todas os seus fólios, rabisco mais umas quantas linhas repletas de sentimentos com a companhia deste mundo cá fora. Sim, deste mundo cá fora porque quando olho à janela, vejo tudo diferente, vejo um outro mundo e é da janela que também imagino a sua chegada com os raios de sol a brilharem o seu rosto e a iluminarem a sua alma e o seu peito. E quando me ponho a imagina-lo, sinto a saudade a bater-me no fundo do peito a ferir-me, e volto novamente a contemplar a vista da janela, quieta e encostada a ela. Não tenho alma de pássaro, mas hoje gostava de voar. Ir ao seu encontro e pousar levemente nas suas mãos repletas de afeto. Voava até a ele chegar. Aconchegava-me no ninho já cálido e embalava-o entre os meus braços, enquanto contemplava o seu descanso ao som da melodia dos nossos órgãos cardíacos. Esta é a minha maneira de sobreviver a esta confusão que me assola os dias. Imaginando-me do seu lado, escrevendo epístolas sobre ele. Foi com o passar dos dias tão fugazes que descobri este remédio para a minha alma e para o meu coração. Nunca encontrei tão benéfico remédio senão este que me atenua o padecimento em alturas de pesadelos e tormentos e por outras, acalentar-me tanto o peito.

Maio 2012


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