domingo, 17 de março de 2013

Encontra-me



São em dias como o de hoje que a nostalgia reina sobre o meu físico e eu fico imóvel, sentindo todo o padecimento em cada batimento do meu coração e em cada lágrima que cai pelo meu rosto. Gostava que ele soubesse que, apesar de ainda haver padecimento, eu nunca mas nunca me senti tão forte como hoje me estou a sentir. Sou de facto uma guerreira, das valentes e nada de exageros. Há dias que doem mais do que outros e hoje apesar de ser um desses dias, sei que sou forte, muito forte. Deixo-me de lamentações e sorrio, porque hoje recebi uma mensagem dele. Finalmente sei que está bem. Cada vez me sinto mais apaixonada. A saudade é forte e assola-me os dias. Mas estes passam e eu continuo sem saber quem somos. Sei apenas que fomos o que nós fomos durante três anos. E o que nós fomos, ele bem sabe. Mas diz-me, diz-me o que somos hoje. Sinto as nossas almas a desunirem-se e isso dói tanto. Sinto um vazio profundo ao sentir-nos tão deste jeito extenuado. Perdemo-nos sempre nas tempestades que acabam connosco. Já não sei de mim e ele, provavelmente, já nem me sente. Que amargura, que padecimento. E que vida, a nossa, tão ligada e desligada ao mesmo tempo. Que estranho, que confuso. Que negrume à nossa volta, que almas, as nossas, tão sem alento. Sinto as nossas almas a desunirem-se e isso dói tanto. O meu coração lacrimeja pela falta que lhe fazes, pela falta que tu me fazes e pelas palavras que tu não lês. Só te quero amar, sentir-te comigo e voar a teu lado. Mas primeiro tens de te decidir. Escolhi-te a ti porque és tu quem eu amo, agora vê se consegues tornar os teus pensamentos mais nítidos porque não estou a conseguir lidar com esta confusão. Tu és tal e qual como chamas de fogo que se pegam ao meu corpo indefeso. És tal e qual como água gélida que afoga o meu corpo enfraquecido. És tal e qual como um buraco de areia suja a matar-me a respiração, uma arca congeladora a congelar-me o corpo e um frigorífico a refrescar-mo. És como raios de sol a queimarem-me a pele, como bichos horrendos a comerem-me o corpo. Identifico-te como um tsunami, levas tudo à frente. O meu corpo já quase a morrer, acaba sempre nos braços da terra que frequentou com a tua maldita força de matar tudo o que te aparece. És lama que me seca o corpo, és a perda de todos os meus sentidos. Assim fazes mal a todo o meu ser e rebentas o meu cérebro. Decidi-te, meu querido. Porque assim dás cabo dos meus órgãos, dás facadas ao meu coração e apodreces a minha alma. Assim deixas-me sem forças. E eu que pensava que estava mais forte. Que ingénua que fui. Possivelmente, não te apercebes do tempo a correr à velocidade da luz, a passar-te ao lado e nem tempo arranjas para saboreá-lo um pouco mais. Mas quando o teu padecimento começa a ficar pesado, a ficar-te difícil de acarretá-lo e não consegues mais suportá-lo, mudas de semblante e sabes qual o melhor caminho a percorrer. Tu sabes também que se um dia tudo submergir, o nosso barco deixará de ter remos e o nosso amor bases. É por isso que a tua luta é constante e por mais que os maremotos sejam desastrosos, tentas remar contra todos eles e não deixas que o nosso barco submerja e os remos se percam no meio de tanta agitação. Mesmo assim, apercebe-te mais do tempo que te passo ao lado e não deixes o nosso barco, não deixes o nosso amor, ir à deriva de vez em quando. Confio em ti. Confiarei sempre em ti. Mas agora, só agora, sinto que me dói tudo. A força inicialmente sentida foi momentânea. Sinto-me cansada, com vontade de dizer adeus a tudo e todos. Dói-me a alma e o órgão cardíaco que me dá vida a todo este meu físico que se encontra cansado, fatigado, e já não tenho força nem vontade para manter este órgão a funcionar. Tudo me pesa. Quero fugir daqui, desta vida, fugir de mim, fugir de todos e levá-lo comigo. Queria correr todo o arruamento sombrio e lamacento e esconder-me num resguardo que ninguém conhecesse. Queria fugir sem deixar as minhas pegadas para ninguém me encontrar. Queria fugir só para me afastar um pouco da cruel realidade e dos fantasmas que me invadiram o leito. Até me dói os olhos de tanto pranto lacrimejado. É tão extenuante sentir todo o cansaço na nossa vida. O coração dói, a alma chora e toda as minhas forças se vão esgotando. A minha vida não era assim, repletas de tempestades de idas e vindas. Tudo me tem aniquilado a alma. Toda a minha luta contra o negrume da minha vida se tem esgotado e já me sinto cansada do amor. Triste não é? É desgastante. A dor não se desvanece e eu estou completamente cansada de tudo. Sabes que mais? Também tenho medo de me cansar de ti. Porque é que a minha vida mudou tanto desde que descobri que te amava? Sinto-te a falta e estou cansada. Estou completamente fatigada desta negridão que me envolve e me consome, desta vida que nem sei se é vida. Preciso de força, preciso realmente de muita força. Aquela que tu me davas quando me olhavas nos olhos e quando me fazias sorrir. Socorre-me neste dia que parece não ter fim. Acumulei muita mágoa e sentimentos mórbidos em mim que agora já me pesam bastante. Necessito de colocar cá para fora todo esse peso que já me corrói há muito e preciso urgentemente do teu alento e de ti par me segurar porque olha, meu amor, eu vou cair novamente. Quero adejar, mas quero adejar eternamente e conhecer o firmamento, o jardim das flores pitorescas. Dói-me as pessoas, e este lar. Hoje dói-me tudo. Preciso dele, mais uma vez. Mas esta dor que trago no peito é cada vez maior e mais forte. Que maldita dor, nociva e horrorosa, que me esgota todos os dias um pouco mais, que me desacelera o coração e me inflama o corpo que se encontra já há uns tempos para cá, mórbido e sem forças para se segurar. A débil brisa repleta de mágoa insere-se em mim tão bruscamente deixando-me completamente de rastos como algo pesado a esmagar-me o corpo. É uma tremenda invasão, um abalamento total e um terrível acabamento do meu ser. Que sensação desconfortante, uma inquietação da alma e um muito mal-estar do coração. Atormenta-me todo o ser e faz-me falecer aos poucos. Estou cravada na dor, na mágoa. Cai o mundo aos meus pés vezes conta, sem uma única piedade. Ando umas vezes em cima em conjunto com a natureza, com a multidão à volta e o universo com os seus constituintes à espreita. Umas vezes em baixo com o meu corpo pregado no chão gélido e sujo, onde caminham bichos horrorosos e saboreiam a minha pele insossa e sem cor. Ando unida à angústia, à dor, à aflição. Sinto-me constantemente perdida. Ouço os gritos aflitos de quem chama constantemente o meu nome mas concentro-me com o silêncio depressivo. Sinto o corpo a ficar cada vez mais dorido e o meu coração a morrer de desgostos. Sinto raiva de não conseguir viver a vida da melhor forma, viver a vida ao lado do rapaz que amo e isso faz-me sentir um vazio em tudo o que me rodeia. Mais uma vez. As minhas lágrimas soltam-se num aceleramento interminável. Encharcam-me de uma tal maneira que nem eu as consigo parar. Em conjuntura com o sol, tentam ser mais fortes e resistirem à força da luz quente que teima em queimá-las e secá-las. O meu corpo sem forças pede socorro às almas perdidas que teimam torturar o além. Sem dó, as lágrimas formam um rio que teimam em formar ondas para me afogar nelas. Encontro-me num beco sem saída porque não sei o que fazer para conquistar o coração do rapaz que amo. Estou caída no meio de um buraco com lama. Não tenho forças sequer para poder erguer-me. Tenho o rosto a sugar-me as lágrimas que os olhos deitam, tenho o corpo a tremer de frio, a ensopar-se de lama, de sujidade. Sinto o coração a bater mais devagar, sinto-o a congelar-se. Ouço o vento de vez em quando a soprar furiosamente, a bater com os seus braços sobre telhados de casas e a partir tudo o que lhe agrada. As lágrimas são tantas que molham tudo sobre a terra, inundam valas e terras e ajudam a refrescar a natureza. Porque não me refrescam também a mim? As horas passam e continuo aqui, sem ninguém e sem forças para sobreviver. Fico com medo, assustada com o tempo e assim fico a ouvir sons estranhos, sentires esquisitos e falas por perto. Fico aflita e sem saber como agir. Grito, grito e grito e acabo por ficar rouca. Sem mais fala por onde pegar, deixo-me ficar e morrer por ali. Assim, sem compaixão. É a minha alma a gritar. Perdi-me num dédalo, nos vocábulos que não te proferi e nas longas esperas no tempo que na verdade nem sabia o que esperar. Perdi-me e já não sei de mim. Encontra-me, meu amor. Encontra-me.

Agosto 2012

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